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Roncão Pequeno

A Capela da Fonte

A Capela da Fonte

Em plena Região Demarcada do Douro, na aldeia de Celeirós do Douro (concelho de Sabrosa) a família Vieira de Sousa é proprietária da Quinta da Fonte onde podemos encontrar uma casa solarenga e respectiva capela construídas no século XVIII.

A Casa da Capela da Fonte, construída no ano de 1710 segundo as inscrições existentes numa das paredes exteriores, foi a sede do vínculo dos Morgados da Fonte de Celeirós desde a sua instituição em 1744, mantido e conservado pelas gerações seguintes.

A capela foi mandada construir pelo primeiro Morgado da Fonte de Celeirós, Francisco Furtado de Azevedo Sotto Maior,filho e herdeiro de Manuel Pereira Sotto Maior (Fidalgo da Casa Real) e de D. Luiza de Magalhães Teixeira, descendente de Manuel Correia da Mesquita Pinto (Fidalgo da Casa Real). De acordo com a escritura de vínculo do morgadio (onde teceu o desejo de jamais a capela ser separada da casa), após falecimento de toda a sua família, à excepção de seu filho Thomás, tornou-se Clérigo do hábito de S. Pedro. Decidiu partir como missionário para o Brasil onde residiu durante alguns anos como pároco. Ao regressar mais tarde a Portugal como senhor e dono de todos os bens da família, manda construir esta capela dedicada a São Francisco de Assis, acabando por ser sepultado nela. Após a morte de seu pai, Thomás de Azevedo Sotto Maior passa a ser o administrador de todos os bens do Morgadio, incluindo ainda os que seu tio (primo de Francisco Furtado, seu pai) lhe havia deixado por herança.

De arquitectura barroca, distingue-se das demais da mesma época pelas particularidades da sua fachada artisticamente trabalhada, encontrando-se em bom estado de conservação e sendo um excelente exemplo da arquitectura religiosa setecentista.

Um dos nomes mais notáveis da família que aqui terá nascido em 1762 foi Gaspar Teixeira de Magalhães e Lacerda (bisneto por via materna do primeiro Morgado), considerado um dos mais notáveis militares do seu tempo. Graças à sua actuação patriótica na Guerra Peninsular, foi agraciado por decreto de D. João VI de 4 de Julho de 1823 com o título de Visconde do Peso da Régua. Mais tarde foi promovido a Tenente-General e nomeado Comandante da 1ª Divisão dos Exércitos Realistas por El-Rei D. Miguel a 4 de Agosto de 1832. Foi assim um dos comandantes que resistiu ao desembarque do exército liberal no Mindelo e que estabeleceu o prolongado cerco do Porto, onde não foi bem-sucedido, acabando demitido do seu cargo. Ainda hoje conhecemos o Porto como “Cidade Invicta”, por ter resistido ao Cerco e à invasão do Exército Realista Miguelista.